Intelectualismos

Judite de Sousa em entrevista ao Expresso:

"Se recuássemos dois ou três mil anos Louçã era o Cícero da Grécia Antiga. Joga bem na casa da democracia e nas entrevistas e debates"

Cícero? Grécia Antiga?

...

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Judite...

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É que essa afirmação faz do Sócrates (esse sim da Grécia Antiga) o Júlio César, esse grande imperador ateniense. Ah, espera lá...

Wiki no seu melhor

O melhor artigo de toda a Wikipédia portuguesa é sem dúvida este:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cameltoe


Passo a citar:

"Cameltoe, "pata de camelo" em português, é o termo da gíria que serve para definir a forma em W ou em V (também conhecido como capô de fusca ou capozão) da vulva feminina, quando esta sob roupa fina e muito justa.

Existe um concurso anual de cameltoes nos Estados Unidos. São também usuais as fotos de paparazzi com cameltoes de celebridades internacionais, como Britney Spears, Paris Hilton, etc."

Para quem tiver dúvidas, é tudo ilustrado com esta magnífica foto:


Quem poderá olhar para um VW carocha (o português para "Fusca") da mesma forma?


Lenços Comunas

Custa ter que citar o inimigo, mas esta estava spot-on:

"How do you tell a communist? Well, it's someone who reads Marx and Lenin. And how do you tell an anti-Communist? It's someone who understands Marx and Lenin."

Ronald Reagan

Amigo Sol (sustenido, que vai alto)

Depois dum ano verdadeiramente surreal, em que aprendi e vivi mais que a maior parte das pessoas numa vida, a praia e o descanso merecido ao sol, enquanto se espera e desespera por confirmações anunciadas, perdidas algures nos infindáveis caminhos e tentáculos das máquinas processuais alimentadas a energia e vontade humanas, às quais dedicamos as nossas vidas, em vão.





O João Bénard

Texto fabuloso de Miguel Esteves Cardoso no Público de Sexta-Feira (22 de Maio de 2009). Já não lia nada assim há muito tempo.


"O João Bénard

O João Bénard é um menino. É um menino que, a cada momento da vida, acabou de descobrir uma coisa. É sempre uma coisa maravilhosa que tem de abraçar com muita força mas depois largá-la para poder mostrá-la aos amigos e partilhá-la com toda a gente.
Porque se não a partilhar, se não a cantar, se não se destruir a elogiá-la de maneira a ser tão irresistível como ele - até chegar a confundir-se com ele ao ponto de não sabermos qual amamos mais, se ele ou as coisas que ele nos ensinou a amar -, se não puder parti-la aos pedaços para poder dar um bocado a cada um, na esperança que todos a queiram reconstruir depois, ele já não é capaz de amar tanto aquela coisa, porque acredita que a coisa é grande e boa de mais para uma só pessoa e sente-se indigno de gozá-la sozinho. É assim o João Bénard.
O João Bénard é um amigo. É um amigo que, a cada momento da vida, faz sempre como se tivesse acabado de apaixonar-se por nós. Não lhe interessam nada as coisas que mudaram; as asneiras que fizemos; a decadência em que entrámos; a miséria que subjaz às nossas opiniões ou o grau de petrificação das nossas almas. Para ele, somos sempre os mesmos. É um leal. Está sempre connosco como se fôssemos tão frescos como ele. Puxa-nos pela manga da camisa; protege-nos da tempestade; desata a rir no meio das encrencas; arranja tabaco clandestino; deixa-nos subir para os ombros para vermos melhor; para saltar para o outro lado; mostra-nos fotografias nunca vistas, de actrizes lindas, escondidas debaixo da camisola - e faz tudo descaradamente; não se importa de ser apanhado; não tem vergonha nenhuma; é um prazer estar com ele; parece que todo o universo está em causa. É assim o João Bénard.
O João Bénard é uma alma. É uma alma que, a cada momento da vida, desde que nasceu, sempre fez pouco do corpo e das coisinhas de que o corpo precisa. Tinha um corpo transparente, com a alma a ver-se lá dentro. Ou então era a alma que projectava o corpo no ecrã da pele. É por isso que todos nós o conhecemos como conhece Deus.
Deus, apresento-Te João Bénard. João Bénard, apresento-te Deus."

Miguel Esteves Cardoso

Tweeta-mos


O primeiro contributo do Twitter realmente importante para a humanidade, no meio de tantos nojentos, inúteis e promovidos por senhores que gritam como meninas a genialidade do referido meio, chega-nos pela mão de Randy Sarafan, um senhor com demasiado tempo livre mas que decidiu modificar uma cadeira de escritório de forma a que ela mande um tweet de cada vez que ele se peida, num admirável esforço que constitui, segundo o próprio, "part of my commitment to accurately document and share my life as it happens.". E melhor: o senhor criou um guia para que todos os interessados possam ter a sua própria cadeira comunicadora de flatulência. Reparem só na expressão de contentamento na foto, ao saber que não terá trabalho a escrever uma mensagem até 140 caracteres para comunicar o cheiro a couves e a morte súbita de insectos e plantas afins. Para ver aqui.


Visto inicialmente na Make Magazine

Nazarín (1959)


Luis Buñuel é um daqueles realizadores cujo mérito é quase unânime, daqueles sem os quais a história do cinema teria sido certamente diferente. Neste último ano tenho tido o privilégio de ir descobrindo alguns dos seus filmes, que são sempre uma aposta segura em termos de qualidade, e guardei Nazarín (1959) para as férias da Páscoa, com o objectivo de juntar à experiência uma reflexão sobre esta altura do ano, dado que alguns dos caminhos da fé e do cristianismo ainda são muito estranhos para mim, que cresci sem qualquer tipo de educação religiosa. De certa forma, podemos dizer que foi uma alternativa meditativa aos inúmeros remakes (sempre a mesma história) que passam nestes feriados e que têm um intuito mais descritivo - por vezes até persuasivo. Mas adiante.

Nazarín conta a história dum padre (Nazario, brilhantemente interpretado por Francisco Rabal) honesto, que vive sem posses materiais e encontra a felicidade no amor e nas criações divinas. Um daqueles exemplos (há muito poucos ao longo da história) de pessoas que, de forma puramente altruísta, vive e acredita no amor desinteressado. Ora (Tchékov dizia) quando uma arma é trazida para o cenário ela vai ter que ser usada: o seu estilo de vida, ao qual se junta a marginalização por parte de algumas pessoas com poder dentro da instituição que é a Igreja, e a maldade humana, acabam por levá-lo a um percurso muito parecido ao de Jesus Cristo - daí o título do filme e da personagem. Mas desse percurso fazem parte alguns episódios surreais e, de certa forma, mais humanizados, bem ao estilo de Buñuel. O que achei de mais interessante no filme foi precisamente a humanização de valores que são habitualmente representados por uma figura divina: Nazario nada tem - nem quer vir a ter - de messiânico ou sagrado, o que é particularmente relevante nos tempos que correm, onde a Igreja católica está, cada vez mais, de costas voltadas para o Homem e é uma instituição sem soluções, sem novidades e num descrédito profundo, que vem precisamente das contradições latentes e por resolver.

Buñuel tem em Nazarín uma afirmação muito semelhante às minhas convicções: um misto de profundo desprezo pela parte corrompida e institucionalizada da religão e de admiração pelos valores e práticas mais basilares e genuínos. E é óbvio que daqui resulta (para o filme, claro...) uma espiritualidade marcante e pura, algo nada óbvio na obra de Buñuel.

IMDB

P.S.: obrigado ao Dani, fiel guia cinematográfico, e à Angie, fiel Buñuélica

Cidadania


Este screenshot foi tirado agora mesmo, no site do Cartão de Cidadão [ou Cartão Único - CU para os amigos], o novo documento para o português moderno e perfeitamente integrado nas novas tecnologias.

À pergunta "Quais os documentos necessários para se pedir o Cartão de Cidadão?" ele responde:

"There is no translation available, please select a different language"

Pois...

Site - FAQ

Call-centers

Tenho que tirar o chapéu a estes senhores.

Depois de andar dois meses (sem exagero) a evitar as chamadas dum call-center - queriam falar com um familiar meu e a dada altura (tipo um mês e três semanas) deixei de atender - hoje apanharam-me de surpresa ligando dum número privado. Depois de 30 segundos a falar em que lhes pedi para não ligarem mais lá perceberam e até foram bem-educados. Claro que há que descontar a autêntica perseguição e violação da privacidade, maior parte das vezes à hora do jantar. Eu até percebo que eles estejam a fazer o trabalho deles, mas não têm o direito de se intrometerem assim na nossa vida para nos impingirem seja o que for. E os chefinhos ainda não perceberam que isso só tem o efeito contrário nas pessoas a longo prazo.

Além disso, os call-centers são um verdadeiro cancro no panorama global de emprego em Portugal, que vai ter que ser resolvido em breve: são o paradigma da precaridade e falta de qualificação. Mas há aqui dois problemas;

i) como as coisas estão há muita gente que não tem alternativa e tem que se sujeitar porque a alternativa é passar fome;
ii) é preciso saber onde por tanta mão-de-obra não qualificada e sem vontade de se qualificar: o clássico problema laboral português.

Aqui fica um excerto clássico e histórico do Seinfeld que ilustra esta situação na perfeição:


Boas novas

Em 2009 vamos ter um crescimento negativo (sempre quis usar esta expressão), mas ao que tudo indica, menos negativo que a Zona Euro e a União Europeia, o que significa que estamos em convergência! Finalmente estamos a aproximar-nos da Europa!