"Cameltoe, "pata de camelo" em português, é o termo da gíria que serve para definir a forma em W ou em V (também conhecido como capô de fusca ou capozão) da vulva feminina, quando esta sob roupa fina e muito justa.
Custa ter que citar o inimigo, mas esta estava spot-on:
"How do you tell a communist? Well, it's someone who reads Marx and Lenin. And how do you tell an anti-Communist? It's someone who understands Marx and Lenin."
Depois dum ano verdadeiramente surreal, em que aprendi e vivi mais que a maior parte das pessoas numa vida, a praia e o descanso merecido ao sol, enquanto se espera e desespera por confirmações anunciadas, perdidas algures nos infindáveis caminhos e tentáculos das máquinas processuais alimentadas a energia e vontade humanas, às quais dedicamos as nossas vidas, em vão.
Texto fabuloso de Miguel Esteves Cardoso no Público de Sexta-Feira (22 de Maio de 2009). Já não lia nada assim há muito tempo.
"O João Bénard
O João Bénard é um menino. É um menino que, a cada momento da vida, acabou de descobrir uma coisa. É sempre uma coisa maravilhosa que tem de abraçar com muita força mas depois largá-la para poder mostrá-la aos amigos e partilhá-la com toda a gente. Porque se não a partilhar, se não a cantar, se não se destruir a elogiá-la de maneira a ser tão irresistível como ele - até chegar a confundir-se com ele ao ponto de não sabermos qual amamos mais, se ele ou as coisas que ele nos ensinou a amar -, se não puder parti-la aos pedaços para poder dar um bocado a cada um, na esperança que todos a queiram reconstruir depois, ele já não é capaz de amar tanto aquela coisa, porque acredita que a coisa é grande e boa de mais para uma só pessoa e sente-se indigno de gozá-la sozinho. É assim o João Bénard. O João Bénard é um amigo. É um amigo que, a cada momento da vida, faz sempre como se tivesse acabado de apaixonar-se por nós. Não lhe interessam nada as coisas que mudaram; as asneiras que fizemos; a decadência em que entrámos; a miséria que subjaz às nossas opiniões ou o grau de petrificação das nossas almas. Para ele, somos sempre os mesmos. É um leal. Está sempre connosco como se fôssemos tão frescos como ele. Puxa-nos pela manga da camisa; protege-nos da tempestade; desata a rir no meio das encrencas; arranja tabaco clandestino; deixa-nos subir para os ombros para vermos melhor; para saltar para o outro lado; mostra-nos fotografias nunca vistas, de actrizes lindas, escondidas debaixo da camisola - e faz tudo descaradamente; não se importa de ser apanhado; não tem vergonha nenhuma; é um prazer estar com ele; parece que todo o universo está em causa. É assim o João Bénard. O João Bénard é uma alma. É uma alma que, a cada momento da vida, desde que nasceu, sempre fez pouco do corpo e das coisinhas de que o corpo precisa. Tinha um corpo transparente, com a alma a ver-se lá dentro. Ou então era a alma que projectava o corpo no ecrã da pele. É por isso que todos nós o conhecemos como conhece Deus. Deus, apresento-Te João Bénard. João Bénard, apresento-te Deus."
O primeiro contributo do Twitter realmente importante para a humanidade, no meio de tantos nojentos, inúteis e promovidos por senhores que gritam como meninas a genialidade do referido meio, chega-nos pela mão de Randy Sarafan, um senhor com demasiado tempo livre mas que decidiu modificar uma cadeira de escritório de forma a que ela mande um tweet de cada vez que ele se peida, num admirável esforço que constitui, segundo o próprio, "part of my commitment to accurately document and share my life as it happens.". E melhor: o senhor criou um guia para que todos os interessados possam ter a sua própria cadeira comunicadora de flatulência. Reparem só na expressão de contentamento na foto, ao saber que não terá trabalho a escrever uma mensagem até 140 caracteres para comunicar o cheiro a couves e a morte súbita de insectos e plantas afins. Para ver aqui.
Luis Buñuel é um daqueles realizadores cujo mérito é quase unânime, daqueles sem os quais a história do cinema teria sido certamente diferente. Neste último ano tenho tido o privilégio de ir descobrindo alguns dos seus filmes, que são sempre uma aposta segura em termos de qualidade, e guardei Nazarín (1959) para as férias da Páscoa, com o objectivo de juntar à experiência uma reflexão sobre esta altura do ano, dado que alguns dos caminhos da fé e do cristianismo ainda são muito estranhos para mim, que cresci sem qualquer tipo de educação religiosa. De certa forma, podemos dizer que foi uma alternativa meditativa aos inúmeros remakes (sempre a mesma história) que passam nestes feriados e que têm um intuito mais descritivo - por vezes até persuasivo. Mas adiante.
Nazarín conta a história dum padre (Nazario, brilhantemente interpretado por Francisco Rabal) honesto, que vive sem posses materiais e encontra a felicidade no amor e nas criações divinas. Um daqueles exemplos (há muito poucos ao longo da história) de pessoas que, de forma puramente altruísta, vive e acredita no amor desinteressado. Ora (Tchékov dizia) quando uma arma é trazida para o cenário ela vai ter que ser usada: o seu estilo de vida, ao qual se junta a marginalização por parte de algumas pessoas com poder dentro da instituição que é a Igreja, e a maldade humana, acabam por levá-lo a um percurso muito parecido ao de Jesus Cristo - daí o título do filme e da personagem. Mas desse percurso fazem parte alguns episódios surreais e, de certa forma, mais humanizados, bem ao estilo de Buñuel. O que achei de mais interessante no filme foi precisamente a humanização de valores que são habitualmente representados por uma figura divina: Nazario nada tem - nem quer vir a ter - de messiânico ou sagrado, o que é particularmente relevante nos tempos que correm, onde a Igreja católica está, cada vez mais, de costas voltadas para o Homem e é uma instituição sem soluções, sem novidades e num descrédito profundo, que vem precisamente das contradições latentes e por resolver.
Buñuel tem em Nazarín uma afirmação muito semelhante às minhas convicções: um misto de profundo desprezo pela parte corrompida e institucionalizada da religão e de admiração pelos valores e práticas mais basilares e genuínos. E é óbvio que daqui resulta (para o filme, claro...) uma espiritualidade marcante e pura, algo nada óbvio na obra de Buñuel.
Este screenshot foi tirado agora mesmo, no site do Cartão de Cidadão [ou Cartão Único - CU para os amigos], o novo documento para o português moderno e perfeitamente integrado nas novas tecnologias.
À pergunta "Quais os documentos necessários para se pedir o Cartão de Cidadão?" ele responde:
"There is no translation available, please select a different language"
Depois de andar dois meses (sem exagero) a evitar as chamadas dum call-center - queriam falar com um familiar meu e a dada altura (tipo um mês e três semanas) deixei de atender - hoje apanharam-me de surpresa ligando dum número privado. Depois de 30 segundos a falar em que lhes pedi para não ligarem mais lá perceberam e até foram bem-educados. Claro que há que descontar a autêntica perseguição e violação da privacidade, maior parte das vezes à hora do jantar. Eu até percebo que eles estejam a fazer o trabalho deles, mas não têm o direito de se intrometerem assim na nossa vida para nos impingirem seja o que for. E os chefinhos ainda não perceberam que isso só tem o efeito contrário nas pessoas a longo prazo.
Além disso, os call-centers são um verdadeiro cancro no panorama global de emprego em Portugal, que vai ter que ser resolvido em breve: são o paradigma da precaridade e falta de qualificação. Mas há aqui dois problemas;
i) como as coisas estão há muita gente que não tem alternativa e tem que se sujeitar porque a alternativa é passar fome; ii) é preciso saber onde por tanta mão-de-obra não qualificada e sem vontade de se qualificar: o clássico problema laboral português.
Aqui fica um excerto clássico e histórico do Seinfeld que ilustra esta situação na perfeição:
Em 2009 vamos ter um crescimento negativo (sempre quis usar esta expressão), mas ao que tudo indica, menos negativo que a Zona Euro e a União Europeia, o que significa que estamos em convergência! Finalmente estamos a aproximar-nos da Europa!